Bloqueio criativo - parte I.
Um ócio, uma(s) inveja, uma saudade, uma raiva, uma dor, inúmeras tristezas.
Sim, eu tenho um amor, uma família, uma preocupação, um amigo, uma razão, uma inteligência, um futuro, um prazer, um monte de uma coisa. Mas é como um buraco-negro, meu monólogos estão cada vez maiores e mais improdutivos, minha sensação de solidez aumenta e aumenta e aumenta, e eu estou de repente naquele círculo vicioso em que me vi muitas outras vezes.
Eu reconheço minha felicidade, mas não a sinto.
Onde está a minha felicidade?
Existe algo que suga toda a positividade, ou mesmo a realidade de mim, e esse algo EU SEI, sou eu, e ninguém mais.
Eu culpo a tudo e todos por esse meu vazio, para que eu pareça, para mim mesma, mais forte. Como eu sempre fui.
Eu anseei, e anseio sempre, por um tipo de reconhecimento, mínimo que seja. E esse reconhecimento não me é mais merecido. Mesmo que eu não o tivesse recebido quando me era de direito.
Eu me sinto como algo inútil e indiferente de existência, e alguém poderia me entender, ou mesmo compartilhar dessa minha insensatez, mas não há, e eu nem quero que haja, realmente, esse alguém. Pois eu sei que é estúpida, essa minha insensatez, e que não vale de nada à ninguém, ninguém mesmo, nem mesmo eu mesma...
Sim, eu sei também. Eu sei também, muito bem, que existem outras pessoas que merecem mais do que eu toda essa felicidade que eu recebo, e elas apreciariam, ô se apreciariam.
Mas eu continuo eu aqui. Me remôo, me machuco, corto e furo tudo que possa sangrar, pois está tudo bem e esse algo (o eu) que suga a minha positividade quer que fique tudo mal. Quer que eu seja coitada, e seja tratada como coitada.
Pois quando assim for, sei que vou tentar ser o contrário, e de repente meu buraco-negro, de novo, o Eu, se esvazia, corrói, em toda a alegria que me causarei.
(E eu deixarei de ser esse algo, esse buraco-negro, eu mesma.)
E eu sei, você me verá cheirosa e sorridente. Sempre que trouxer sua atenção à mim, todas essas poucas vezes, e vai ser estranho. Tudo, e toda eu, parecerá mentira. E talvez seja, talvez não.
De uma forma ou de outra, não precisarás preocupar-te em me dar mais do que um sorriso sincero, mesmo que vires as costas logo em seguida. É só (tudo) isso que preciso para prolongar a minha felicidade momentânea.
Quem sabe os momentos durem mais, e as pausas durem menos, assim.
-
Preciso de alguma droga natural, como a felicidade. Por favor, alguém me injete alguma felicidade direto na veia, e que corra rápido ao coração, ou à mente, ou à qualquer lugar em que eu e o buraco-negro estejamos, pois eu estou precisando.
E me desculpa, toda essa negatividade, é que chegaram as férias da minha auto-confiança, segurança e do meu valor, e agora só sobrou eu mesma, e sabe como é, né... Eu sou chata.
Näkemiin
20080814
20080801
Algo para ser.
Queria ter sido mais marcante nas vidas das pessoas com que me relacionei.
Queria ter deixado marca forte, queimada à ferro.
Mesmo que fosse sangrenta, doída, queria ter feito diferença.
Não quero ser só mais uma, indiferente, morta-viva. Quero ser lembrada, tortura, saudade. Quero ser algo!
Lembra-te de mim, lembra-te de mim como alguém que te foi algo!
Quero ter sido sua melhor amiga, sua namorada perfeita, sua filha diferente. Quero ter sido líder nata, súdita superada, aluna exemplar. Quero ter sido pior inimiga, cobra que te envenenou, faca que te cortou.
Rosa-choque, laranja CET, verde fosforescente! Deixa de me ter negra, clara, cinza entediante, quero ter cor, brilhar no escuro, quero tua mente acesa por minha lembrança.
Quero ser êcstase para seu coração.
Quero que palpite de ódio, palpite de amor, não me importa, quer apenas que palpite!
Quero ser choque para seu sitema nervoso.
Quero que entre em colapso só de me sentir. Espasmos musculares, reações involuntárias, perda de razão e consciência!!
Quer, como quero. Ser sua marca.
À ferro quente, à faca afiada, à tapa na cara.
Uma marca, pequenina que seja.
Lembrança...
-
Minha mãe continua 'doente'.
E acho que não vou conseguir viajar no fianl do ano com a Nadja, como pretendia..
:/ É.. É a vida.
Queria ter sido mais marcante nas vidas das pessoas com que me relacionei.
Queria ter deixado marca forte, queimada à ferro.
Mesmo que fosse sangrenta, doída, queria ter feito diferença.
Não quero ser só mais uma, indiferente, morta-viva. Quero ser lembrada, tortura, saudade. Quero ser algo!
Lembra-te de mim, lembra-te de mim como alguém que te foi algo!
Quero ter sido sua melhor amiga, sua namorada perfeita, sua filha diferente. Quero ter sido líder nata, súdita superada, aluna exemplar. Quero ter sido pior inimiga, cobra que te envenenou, faca que te cortou.
Rosa-choque, laranja CET, verde fosforescente! Deixa de me ter negra, clara, cinza entediante, quero ter cor, brilhar no escuro, quero tua mente acesa por minha lembrança.
Quero ser êcstase para seu coração.
Quero que palpite de ódio, palpite de amor, não me importa, quer apenas que palpite!
Quero ser choque para seu sitema nervoso.
Quero que entre em colapso só de me sentir. Espasmos musculares, reações involuntárias, perda de razão e consciência!!
Quer, como quero. Ser sua marca.
À ferro quente, à faca afiada, à tapa na cara.
Uma marca, pequenina que seja.
Lembrança...
-
Minha mãe continua 'doente'.
E acho que não vou conseguir viajar no fianl do ano com a Nadja, como pretendia..
:/ É.. É a vida.
20080724
Memórias de uma paixão incandescente
E eu vagava nas memórias de um tempo bom.. Misturando as histórias de Friederich Engels e seu socialismo com aquelas estúpidas cenas repetidamente.
Lembro-me facilmente do quão confusos pareciam os trechos daquele livro. Que a memória misturou com o passado, um passado mais distante ainda.
"Tudo isso constitui uma revelação para Engels..." ...O quarto semi-escuro, com o leve soar de conversinhas através das paredes finas... "...Tudo isso constitui uma revelação para Engels. Ele via o Parlamen..." ...o suar quente das mãos dele à percorrer um caminho que por tão curto, ainda era tão longo... "...Ele via o Parlamento ser pressionado por causa das condições de trabalho; os debates a respeito das leis referentes ao auxílio aos pobres e às condições de trabalho nas fábricas..." ...O medo, o encolher, a proteção dos braços, o quarto (ainda) semi-escuro... "Tudo isso constitui uma revelação para Engels. Ele via o Parlamento ser pressionado..." ...Aquele perfume, que tanto me irritava, de repente parecia o cheiro de mil jasmins, pensava que, se ele existia, era assim que deveria cheirar o Jardim do Éden... Humpf! um riso debochado se soltava. Que boba! Que diabos isso significava? Nunca cheirara jasmin alguma; nunca jamais acreditara em tal coisa como o Éden!
"... o Parlamento ser pressionado por causa das condições de trabalho; os debates a respeito das leis referentes ao auxílio aos pobres e às condições de trabalho nas fábricas colocaram em segundo plano as discussões acerca do movimen..." ...O rosto, os olhos fechados; é, eu estava fazendo-o feliz. Eu era boa. No que quer que fosse, o que quer que isso significasse... Nisso, eu era boa.
O sorriso se abria assim que minhas memórias surgiam. E, ridicularmente, quando se misturavam às memórias de Engels, tristes e duras memórias de um tempo de depressão, o sorriso se amargava, enrijecia...
E assim era.
Assim foi, até que a mente se desgastasse tanto que enfim pegasse no sono e vivesse essa estranha contradição por mais algumas poucas horas; pois assim já se passara das 4a.m., e eu deveria acordar cedo amanhã...
E eu vagava nas memórias de um tempo bom.. Misturando as histórias de Friederich Engels e seu socialismo com aquelas estúpidas cenas repetidamente.
Lembro-me facilmente do quão confusos pareciam os trechos daquele livro. Que a memória misturou com o passado, um passado mais distante ainda.
"Tudo isso constitui uma revelação para Engels..." ...O quarto semi-escuro, com o leve soar de conversinhas através das paredes finas... "...Tudo isso constitui uma revelação para Engels. Ele via o Parlamen..." ...o suar quente das mãos dele à percorrer um caminho que por tão curto, ainda era tão longo... "...Ele via o Parlamento ser pressionado por causa das condições de trabalho; os debates a respeito das leis referentes ao auxílio aos pobres e às condições de trabalho nas fábricas..." ...O medo, o encolher, a proteção dos braços, o quarto (ainda) semi-escuro... "Tudo isso constitui uma revelação para Engels. Ele via o Parlamento ser pressionado..." ...Aquele perfume, que tanto me irritava, de repente parecia o cheiro de mil jasmins, pensava que, se ele existia, era assim que deveria cheirar o Jardim do Éden... Humpf! um riso debochado se soltava. Que boba! Que diabos isso significava? Nunca cheirara jasmin alguma; nunca jamais acreditara em tal coisa como o Éden!
"... o Parlamento ser pressionado por causa das condições de trabalho; os debates a respeito das leis referentes ao auxílio aos pobres e às condições de trabalho nas fábricas colocaram em segundo plano as discussões acerca do movimen..." ...O rosto, os olhos fechados; é, eu estava fazendo-o feliz. Eu era boa. No que quer que fosse, o que quer que isso significasse... Nisso, eu era boa.
O sorriso se abria assim que minhas memórias surgiam. E, ridicularmente, quando se misturavam às memórias de Engels, tristes e duras memórias de um tempo de depressão, o sorriso se amargava, enrijecia...
E assim era.
Assim foi, até que a mente se desgastasse tanto que enfim pegasse no sono e vivesse essa estranha contradição por mais algumas poucas horas; pois assim já se passara das 4a.m., e eu deveria acordar cedo amanhã...
20080710
FÉRIAS!
Férias?
Acabou! Acabou a Agência, acabou a energia das 6hs às 11hs, acabou a música, acabou a rotina e todas aquelas pessoas. Acabou...
Eu deveria estar feliz, não?!
Eu deveria estar deitada em uma rede, de pés para o alto, uma cerveja gelada em uma mão e um churrasquinho na outra, não é?!
Então por quê ainda acordo cedo? Por quê não consigo dormir até as 2hrs da tarde?
Por quê me arrumo pra sair e não tenho pra onde ir? Por quê meus dias começam e acabam de forma tão melancólica?
Não quero nostalgia! Não quero lamento, expectativa, preocupação. Quero férias, quero férias!
Porque você não me dá férias? Porque você não pára de pensar? Entra em pane, dá curto-circuito, acha um standby aí, por favor!!
Quero férias da minha cabeça! Férias de pensar, férias, férias, FÉRIAS!
Férias?
Acabou! Acabou a Agência, acabou a energia das 6hs às 11hs, acabou a música, acabou a rotina e todas aquelas pessoas. Acabou...
Eu deveria estar feliz, não?!
Eu deveria estar deitada em uma rede, de pés para o alto, uma cerveja gelada em uma mão e um churrasquinho na outra, não é?!
Então por quê ainda acordo cedo? Por quê não consigo dormir até as 2hrs da tarde?
Por quê me arrumo pra sair e não tenho pra onde ir? Por quê meus dias começam e acabam de forma tão melancólica?
Não quero nostalgia! Não quero lamento, expectativa, preocupação. Quero férias, quero férias!
Porque você não me dá férias? Porque você não pára de pensar? Entra em pane, dá curto-circuito, acha um standby aí, por favor!!
Quero férias da minha cabeça! Férias de pensar, férias, férias, FÉRIAS!
20080629
Algo colorido
Eu tenho certeza de que te amo.
Mas a minha certeza não vale de nada, é como se eu visse rosa e o mundo visse azul. Eu tenho certeza de que é rosa e o mundo tem certeza de que é azul. O mundo não vai me fazer ver azul, e eu não farei o mundo ver rosa.
O que quer que seja, não deixa de ser o que é porque eu vejo rosa ou o mundo vê azul.
Mas para mim, deixará de ser o que é justamente porque não é mais rosa. E eu não conseguiria ver novamente se tivesse abalado a minha certeza.
Meu amor é rosa e o seu é azul.
Mas se é para a gente ficar bem, a gente pode deixá-lo roxo.
Eu tenho certeza de que te amo.
Mas a minha certeza não vale de nada, é como se eu visse rosa e o mundo visse azul. Eu tenho certeza de que é rosa e o mundo tem certeza de que é azul. O mundo não vai me fazer ver azul, e eu não farei o mundo ver rosa.
O que quer que seja, não deixa de ser o que é porque eu vejo rosa ou o mundo vê azul.
Mas para mim, deixará de ser o que é justamente porque não é mais rosa. E eu não conseguiria ver novamente se tivesse abalado a minha certeza.
Meu amor é rosa e o seu é azul.
Mas se é para a gente ficar bem, a gente pode deixá-lo roxo.
20080615
Vontade de sonhar
Sonia era uma jovem comum dos anos 70 e 80 em São Paulo.
Não era hippie, não era estrela do rock. Era estudante, baladeira e 'dona do próprio nariz'.
Teve muitos sonhos, e tentou realizá-los o mais cedo possível.
Ao realizar cada um deles, ela ia percebendo que não eram realmente sonhos, e sim pequenas vontades. Logo descobria que aquilo não era o que queria.
Um de seus maiores "sonhos" era ser psicóloga. Para isso, prestou vestibular para psicologia no que antes era o Objetivo.Era muito jovem, entrou com apenas 17 anos.
Diz que morreu de vergonha quando sua mãe precisou ir para assinar a matrícula, pois ainda era menor de idade, no meio de todos aqueles jovens já 'autônomos'. Percebeu que ela não era tão 'dona do seu nariz' assim.
Mas ainda sim, seu sonho estava sendo realizado, estava a caminho de se tornar uma psicóloga!
Quando formada, montou seu consultório, e assim se realizara seu 'sonho'. Sua vida estava completa, por enquanto.
Mas depois de alguns anos exercendo a profissão, percebeu: "Não quero ser psicóloga".
Seu sonho já não era mais sonho, e sim uma vontade. Passageira.
Saiu do ramo, trabalhou com muitos outras coisas. Já não tem mais sonhos.
Agora, ela tem vontades.
E a próxima vontade à ser satisfeita é a de trabalhar como funcionária pública. Na área de administração, até que a próxima vontade apareça.
-
Essa é a história de Sonia Maria Bovolenta Peres.
Agora sem emprego, sem sonhos, cheia de vontades. Namorada, feliz, e mãe de duas filhas.
Uma delas, a que vos escreve.
Sonia era uma jovem comum dos anos 70 e 80 em São Paulo.
Não era hippie, não era estrela do rock. Era estudante, baladeira e 'dona do próprio nariz'.
Teve muitos sonhos, e tentou realizá-los o mais cedo possível.
Ao realizar cada um deles, ela ia percebendo que não eram realmente sonhos, e sim pequenas vontades. Logo descobria que aquilo não era o que queria.
Um de seus maiores "sonhos" era ser psicóloga. Para isso, prestou vestibular para psicologia no que antes era o Objetivo.Era muito jovem, entrou com apenas 17 anos.
Diz que morreu de vergonha quando sua mãe precisou ir para assinar a matrícula, pois ainda era menor de idade, no meio de todos aqueles jovens já 'autônomos'. Percebeu que ela não era tão 'dona do seu nariz' assim.
Mas ainda sim, seu sonho estava sendo realizado, estava a caminho de se tornar uma psicóloga!
Quando formada, montou seu consultório, e assim se realizara seu 'sonho'. Sua vida estava completa, por enquanto.
Mas depois de alguns anos exercendo a profissão, percebeu: "Não quero ser psicóloga".
Seu sonho já não era mais sonho, e sim uma vontade. Passageira.
Saiu do ramo, trabalhou com muitos outras coisas. Já não tem mais sonhos.
Agora, ela tem vontades.
E a próxima vontade à ser satisfeita é a de trabalhar como funcionária pública. Na área de administração, até que a próxima vontade apareça.
-
Essa é a história de Sonia Maria Bovolenta Peres.
Agora sem emprego, sem sonhos, cheia de vontades. Namorada, feliz, e mãe de duas filhas.
Uma delas, a que vos escreve.
20080607
Dilema de uma des-movimentação
Digo tanto que sou algo que muda sempre, que nunca fica parado, dá tanto passos para frente quanto para trás, mas sempre em mutação.
Mas há a contradição em mim. E a contradição é uma movimentação.
Eu, que me encontro completamente apaixonada, flutuante, dançante, acabo por me encontrar realmente, estagnada.
O amor me pôs um muro alto, comprido e resistente à minha frente. O muro é transparente, posso ver tudo o que poderia ser, ter e fazer, mas nunca consigo atravessá-lo.
É confortável, eu confesso. É quentinho, tenro e suave, assim como o colo, o carinho e as palavras de minha amante, mas eu quero ultrapassá-lo, como quero.
Talvez seja essa minha necessidade atroz e um tanto quanto superficial de ultrapassar barreiras, quebrar dogmas, conceitos e tudo o mais que me limita, mas eu quero tanto que essa coisa tão forte e inexistente desapareça que me embaraço toda em tanta afobação.
Deve ser essa afobação toda que me criou esse bendito muro. Ou a minha necessidade de produzir, ou o meu medo de parar, ou mesmo o meu 'amor'.
Ou simplesmente esse muro nunca existiu e eu mesma o criei para ter a certeza de que nunca vou parar - pois me conheço e sei que adoro (ou odeio) desafios.
Na verdade só de pensar nesse muro ele deixa de existir, mas tudo o que faço é mesmo uma contradição, pois pensar no muro também o faz exisitr, e isso acaba se tornando algo vicioso, que só faz com que eu me movimente para frente e para trás, algo como uma estagnação, só que mais cansativo. Vês o meu dilema?
Digo tanto que sou algo que muda sempre, que nunca fica parado, dá tanto passos para frente quanto para trás, mas sempre em mutação.
Mas há a contradição em mim. E a contradição é uma movimentação.
Eu, que me encontro completamente apaixonada, flutuante, dançante, acabo por me encontrar realmente, estagnada.
O amor me pôs um muro alto, comprido e resistente à minha frente. O muro é transparente, posso ver tudo o que poderia ser, ter e fazer, mas nunca consigo atravessá-lo.
É confortável, eu confesso. É quentinho, tenro e suave, assim como o colo, o carinho e as palavras de minha amante, mas eu quero ultrapassá-lo, como quero.
Talvez seja essa minha necessidade atroz e um tanto quanto superficial de ultrapassar barreiras, quebrar dogmas, conceitos e tudo o mais que me limita, mas eu quero tanto que essa coisa tão forte e inexistente desapareça que me embaraço toda em tanta afobação.
Deve ser essa afobação toda que me criou esse bendito muro. Ou a minha necessidade de produzir, ou o meu medo de parar, ou mesmo o meu 'amor'.
Ou simplesmente esse muro nunca existiu e eu mesma o criei para ter a certeza de que nunca vou parar - pois me conheço e sei que adoro (ou odeio) desafios.
Na verdade só de pensar nesse muro ele deixa de existir, mas tudo o que faço é mesmo uma contradição, pois pensar no muro também o faz exisitr, e isso acaba se tornando algo vicioso, que só faz com que eu me movimente para frente e para trás, algo como uma estagnação, só que mais cansativo. Vês o meu dilema?
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